CLARICE LISPECTOR E SUAS IDÉIAS
Ali᳠- descubro eu agora - eu tamb魠n㯠fa篠a menor falta, e at頯 que escrevo um outro escreveria.
A hora da estrela
Onde aprender a odiar para n㯠morrer de amor?
Laços de famæshy;lia
N㯠eu que vivo em eterna muta磯, com novas adapta絥s que a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.
Um sopro de vida
Talvez a pergunta vazia fosse apenas para que um dia alguém não viesse a dizer que ela nem ao menos havia perguntado. Por falta de quem lhe respondesse ela mesma parecia se ter respondido: é assim porque é assim.
A hora da estrela
E de tal modo haviam se disposto as coisas que o amor doloroso lhe pareceu felicidade.
Laços de famæshy;lia
Quem não é um acaso na vida?
A hora da estrela
Isto não é um lamento. É um grito de ave de rapina, irisada e intranqüila.
Um sopro de vida
Nem todos chegam a fracassar porque é tão trabalhoso, é preciso antes subir penosamente até enfim atingir a altura de poder cair.
A paixão segundo G.H.
Sua sensibilidade incomodava sem ser dolorosa, como uma unha quebradiça.
Laços de famæshy;lia
Abandone-se, tente tudo suavemente, não se esforce por conseguir - esqueça completamente o que aconteceu e tudo voltará com naturalidade.
Laços de famæshy;lia
O cacto é cheio de raiva com os dedos todos retorcidos e é impossæshy;vel acarinhá-lo. Ele te odeia em cada espinho espetado porque dói-lhe no corpo esse mesmo espinho cuja primeira espetada foi na sua própria grossa carne. Mas pode-se cortá-lo em pedaços e chupar-lhe a áspera seiva: leite de mãe severa.
Um sopro de vida
Quem sabe a que escuridão de amor pode chegar o carinho.
Laços de famæshy;lia
Não se pode dar uma prova de existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando.
A hora da estrela
Oh Deus, eu que faço concorrência a mim mesma. Me detesto. Felizmente os outros gostam de mim. É uma tranqüilidade.
Um sopro de vida
Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever.
A hora da estrela
A eternidade é o estado das coisas neste momento.
A hora da estrela
Escrevo por ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens.
A hora da estrela
Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por que dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma.
Um sopro de vida
Ser um ser permissæshy;vel a si mesmo é a glória de existir.
Um sopro de vida